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Nutrição Parenteral no Paciente Séptico

A sepse é a principal causa de morte por infecção, especialmente, se não diagnosticada e tratada precocemente.

É uma condição clínica resultante de uma resposta inflamatória à infeccção, que leva à disfunção orgânica1. Associa-se a alta morbimortalidade e é um dos motivos mais frequentes de internação na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) 2.

Denomina-se sepse grave o quadro de infecção associado à disfunção orgânica, que . pode progredir para choque séptico, principalmente, quando há hipotensão persistente, mesmo na presença de fluído adequado3. (Ver figura 1)

A sepse ocorre quando a liberação de mediadores pró – inflamatórios, em resposta a uma infecção, excede os limites de normalidade, levando, dessa forma, a uma resposta inflamatória sistêmica 7,8.

A resposta metabólica, que o paciente apresenta na fase séptica – implica em diversas alterações no metabolismo dos nutrientes, das quais fazem parte:

O suporte nutricional desses pacientes é fundamental para se evitar a potencialidade das alterações metabólicas elencadas acima. A via de acesso inicial, para a terapia nutricional, é a enteral. Porém, quando isso não é possível, com o intuito de garantir as necesidades calórico-proteicas, a indicação da Nutrição Parenteral mostrou-se segura em um subgrupo de pacientes (excluíndo-se pacientes instáveis hemodinamicamente e com choque séptico). O início do suporte nutricional especializado é recomendado quando o paciente estiver em condições hemodinámicas estáveis 10.

 

Requerimentos nutricionais para o paciente séptico:

  • O excesso de calorías pode ser prejudicial na fase aguda:
  • Oferta máxima de 20 kcal/kg/dia;
  • Durante a fase hipermetabólica e de recuperação:
  • Aporte calórico de 25 a 30 kcal/kg/dia (2/3 de carboidratos, 1/3 de lipídeos);
  • Aporte proteico de 1,2 a 1,5 g/kg/dia;
  • Aporte lipídico de 1,0 a 1,5 g/kg/dia;
  • Relação de Kcal não proteicas por grama de Nitrogênio de 100 a 150:1;
  • Importante: monitorar e adaptar o aporte nutricional, individualmente, respeitando as respostas orgânicas e as composições corporais dos pacientes 11;
  • Deve-se levar em consideração o aporte diario de oligoelementos e vitaminas, especialmente, zinco, selênio e vitaminas do complexo B 9.

Composição da Nutrição Parenteral:

A Composição da NPT (Nutrição Parenteral Total) inclui uma solução que contém  glicose, lipídeos, aminoácidos, vitaminas e minerais.

Emulsões lipídicas são úteis em pacientes com intolerância à glicose, fornecendo, dessa forma, uma quantidade menor de calorias na forma de carboidratos. Em pacientes com sepse, a utilização de emulsões lipídicas com óleo de peixe favoreceu uma diminuição do tempo de permanência na UTI e na duração de dias de ventilação mecânica 4.

Em relação aos aminoácidos, após o trauma metabólico, a glutamina desempenha importante papel na indução de mecanismos de proteção celular, principalmente, pelo aumento na produção de proteínas de choque, já que sua expressão protege contra danos celulares 12. Isso lhe confere um papel potencial para prevenir a progressão de danos em múltiplos órgãos, podendo, dessa forma, ser suplementada em pacientes que necessitam de nutrição parenteral 9.